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Desinformação impacta prevenção do câncer de pele no Brasil

No Brasil, o câncer de pele é o tipo de câncer mais incidente, com estimativa de cerca de 220 mil novos casos em 2025, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A prevenção por meio do uso correto de protetor solar poderia evitar a maioria desses casos, mas ainda há obstáculos para que ela aconteça da forma ideal, como aponta a Dra. Fábia Schalch, médica dermatologista e líder da especialidade na operadora de saúde Alice.

"O câncer de pele, em suas diferentes formas, pode ser prevenido, na maioria dos casos, com medidas simples e, quando identificado precocemente, tem tratamento muito mais eficaz", explica Schalch. "Infelizmente, por falta de informação adequada ou pela circulação de conteúdos incorretos, muitas pessoas ainda não se protegem como deveriam e deixam de perceber sinais de alerta importantes".

Em um período de intensa exposição solar, a especialista aponta mitos que afastam as pessoas do uso adequado de fotoprotetores e destaca o que realmente importa para a proteção contínua da saúde.

Protetor solar faz mal? – Mito

Nas redes sociais, especialmente entre a Geração Z, cresce a noção de que evitar o protetor solar seria benéfico. Com base em interpretações distorcidas de estudos, esses movimentos alegam que protetores "causam câncer" ou "problemas endócrinos", defendem óleos vegetais como alternativa e afirmam que a exposição solar cria "tolerância" à radiação.

Schalch afirma que a realidade científica é inequívoca: óleos e manteigas vegetais não oferecem proteção solar adequada. Uma exposição desprotegida aumenta o risco de câncer de pele, queimaduras, envelhecimento precoce e lesões pré-cancerígenas. 

A crença de que protetores bloqueiam a síntese de vitamina D também é falsa. Poucos minutos de exposição já estimulam sua produção, e usuários regulares mantêm níveis normais quando se expõem de forma moderada. Em grupos de risco, a reposição pode ser feita com orientação médica.

O histórico familiar importa na prevenção do câncer de pele? – Verdade

"Um fator frequentemente negligenciado na discussão sobre proteção solar é o papel crucial do histórico familiar. Indivíduos com antecedentes de câncer de pele na família, seja melanoma ou carcinomas basocelular e espinocelular, apresentam risco significativamente elevado de desenvolver a doença", alerta a especialista.

Essa predisposição genética não apenas aumenta a vulnerabilidade à radiação UV, mas também indica a necessidade de vigilância mais rigorosa e proteção intensificada. "A genética não é destino, mas é um alerta que demanda ação preventiva imediata e contínua", reforça Fábia. Nesses casos, recomenda-se FPS 50+, reaplicação mais frequente e consultas dermatológicas regulares.

Protetores solares em cápsulas funcionam? – Não é bem assim

De acordo com a Dra. Fábia, protetores solares em cápsulas são, na verdade, suplementos orais, formulados com antioxidantes que atuam internamente neutralizando radicais livres. Quando combinados com protetor tópico, podem potencializar a defesa cutânea e contribuir para a diminuição da oxidação e vermelhidão da pele.

Ela destaca, porém, que a suplementação é sempre um coadjuvante, pois não cria barreira física contra raios UV e nunca alcança a mesma proteção do produto tópico.

Todos os protetores solares possuem a mesma eficácia? – Mito

"O FPS mínimo recomendado é 30, idealmente 50 para exposição prolongada. É essencial buscar proteção de amplo espectro, garantindo cobertura contra UVA e UVB — os raios UVA penetram profundamente na pele, causando envelhecimento e aumentando o risco de melanoma, enquanto os UVB causam queimaduras e aumentam o risco de carcinomas."

A resistência à água é fundamental para atividades esportivas e ambientes com suor intenso. A reaplicação deve ocorrer a cada duas horas ou após mergulho, e a quantidade adequada é aproximadamente uma colher de chá para cada parte do corpo.

"Seguir critérios objetivos ajuda o consumidor a se proteger melhor. Um protetor de qualidade comprovada, bem aplicado e reaplicado, ainda é a ferramenta mais eficiente contra os danos solares", reforça Fábia.

É preciso proteger somente a face? – Mito

Durante a aplicação de protetores, áreas como orelhas, lábios, couro cabeludo, dorso das mãos e pés são sistematicamente negligenciadas.

As orelhas, por sua anatomia e exposição constante, são particularmente vulneráveis ao desenvolvimento de melanoma e carcinomas. Os lábios, desprovidos de melanina protetora natural, sofrem danos cumulativos que levam a queimaduras solares recorrentes e lesões pré-cancerígenas. As extremidades do corpo frequentemente recebem exposição solar prolongada durante atividades cotidianas e são comumente esquecidas na aplicação de protetor.

A dermatologista recomenda atenção especial a essas zonas, utilizando tecidos com proteção UV, bonés, óculos escuros e protetores específicos para lábios com FPS, e garantindo que a aplicação de protetor tópico cubra integralmente o corpo e suas extremidades.

A reaplicação de protetor solar realmente faz diferença? – Verdade

"A reaplicação do protetor solar é tão importante quanto a aplicação inicial, mas permanece como um dos passos mais negligenciados na rotina de proteção. A eficácia do protetor diminui após duas horas de exposição, especialmente com suor, água ou atrito."

"Muitas pessoas aplicam protetor uma única vez pela manhã e acreditam estar protegidas o dia todo, um erro que compromete toda a estratégia preventiva", explica Schalch. A reaplicação deve ocorrer a cada duas horas durante exposição solar intensa, imediatamente após mergulho ou atividades aquáticas, e sempre após transpiração excessiva.

Para facilitar a reaplicação, recomenda-se manter protetor solar portátil na bolsa, mochila ou carro, transformando esse hábito em parte natural da rotina diária. Além disso, produtos em formato de spray, pó compacto ou bastão podem ser utilizados como complemento entre reaplicações mais completas.

"A proteção solar é uma questão de saúde pública e vai muito além da estética. Os cuidados essenciais de prevenção são efetivos e poderosos na proteção contra o câncer de pele. Investir em prevenção significa salvar vidas e garantir um futuro mais saudável para todos", conclui a dermatologista.

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