Empréstimo consignado cresce e exige planejamento financeiro


O empréstimo consignado privado movimentou mais de R$ 100 bilhões no Brasil até março de 2026. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), aproximadamente 8,5 milhões de trabalhadores foram beneficiados, somando mais de 17 milhões de contratos firmados em todo o país.
A modalidade permite que o trabalhador contrate empréstimos com taxas de juros inferiores às praticadas em operações tradicionais do sistema bancário e no crédito rotativo do cartão. Atualmente, a taxa média gira em torno de 3,2% ao mês.
"Costumo dizer que, dessa forma, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) cumpre o seu verdadeiro papel, que é apoiar, amparar o trabalhador brasileiro num momento de dificuldade, ao qual todos estamos sujeitos. Nesse modelo, o FGTS funciona como um aval da operação, pois é um dinheiro do emprego que está retido", destaca João Nicastro, fundador e CEO do J17.
De acordo com dados do setor, o valor médio dos empréstimos é de R$ 11.895, com parcelas mensais em torno de R$ 246. "Nossa principal recomendação é que o interessado faça suas contas com cuidado e avalie todas as condições e facilidades antes de assumir o compromisso. Aqui nós valorizamos e incentivamos o crédito responsável", reforça Nicastro.
Beneficiados
Podem contratar o empréstimo consignado privado trabalhadores com vínculo formal (CLT), desde que a empresa empregadora tenha convênio com a instituição financeira ou utilize plataformas habilitadas para o desconto em folha. Em geral, há exigência de tempo mínimo de empresa e margem consignável (percentual do salário que pode ser comprometido com parcelas). Normalmente o mercado tem trabalhado com 35% da renda líquida. "O consignado, por ter juros menores e contratação facilitada, é muito recomendado para pessoas que precisam reorganizar suas dívidas. Inclusive, quem tem restrições no nome (negativado) pode contratar o empréstimo", explica João Nicastro.
Dicas
Para evitar problemas, Nicastro lista cinco pontos importantes para que o trabalhador observe na hora de contratar o benefício, que são:
- Avaliar a real necessidade do empréstimo e evitar o crédito por impulso.
- Comparar taxas, prazos e o custo efetivo total (CET) entre diferentes instituições.
- Não comprometer toda a margem consignável, preservando espaço para imprevistos.
- Usar o crédito para quitar dívidas mais caras, e não para ampliar o endividamento.
- Planejar o impacto no orçamento mensal, lembrando que o desconto é automático e reduz a renda disponível.
"Aqui no J17 nós temos, sim, a preocupação com os clientes e com a educação financeira, o que norteia os parceiros na venda de um crédito responsável. O nosso time e os nossos canais de comunicação, como site, blog e até o nosso podcast, o J17 Talks, têm esse objetivo maior", complementa João Nicastro. Um estudo da Serasa Experian aponta que 45% dos empresários ainda não sabem direito como é o funcionamento do consignado privado.
Para João Nicastro, "quanto mais informações, melhor. É isso que temos feito no nosso canal de vídeo e no podcast do J17. Os corbans, os clientes e todo o ecossistema precisam atuar com transparência, segurança e responsabilidade. E a informação é indispensável. Isso vai fazer com que a gente continue existindo como negócio, beneficiando mais pessoas, com resultados diretos no consumo", avalia o CEO do J17.
Consignado público
Recentemente, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos publicou novas regras para a gestão das consignações em folha de pagamento no âmbito do Poder Executivo federal, com foco no fortalecimento da segurança, da transparência e da eficiência das operações, além do reforço aos mecanismos de prevenção a fraudes e golpes.
As mudanças alcançam servidoras e servidores públicos federais regidos pela Lei nº 8.112/1990, além de empregados, militares, aposentados e pensionistas com folha processada pelo sistema federal de gestão de pessoas. Entre os principais pontos estão a exigência de anuência expressa e individualizada para cada contratação de consignado, o aprimoramento dos canais de reclamação, a possibilidade de desativação cautelar temporária diante de indícios de risco, o reforço das responsabilidades das instituições consignatárias e a limitação do acesso à margem consignável.
As novas regras também ampliam a transparência das operações, com a obrigatoriedade de divulgação do Custo Efetivo Total (CET), além de estabelecer normas específicas para os descontos sindicais. "Essa reorganização e alinhamento geram mais credibilidade para o sistema, protegendo os clientes e todos os integrantes do processo de crédito no Brasil", conclui Denis Campos, diretor de operação do J17.





