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Eventos corporativos enfrentam riscos cibernéticos

Depois de ser duramente afetado na pandemia de Covid-19, o setor de eventos voltou a crescer. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, o segmento arrecadou R$ 25,3 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape) divulgados pela Veja Negócios.

Em meio a essa expansão, o diretor jurídico, fundador e CEO do Grupo RG Eventos, José de Souza Junior, chama a atenção para os riscos de cibersegurança, especialmente em encontros corporativos, como congressos médicos, feiras industriais e fóruns de investimento.

Segundo Souza Junior, a vulnerabilidade dos eventos temporários não é fruto de uma única falha, mas de uma combinação de fatores que especialistas chamam de "superfície de ataque ampliada".

Ele cita o exemplo de um congresso internacional, em que centenas de dispositivos IoT (Internet das Coisas) — como totens de autoatendimento, sistemas de som, painéis de LED e máquinas de café conectadas — compartilham a rede com notebooks que podem carregar segredos industriais e dados sensíveis de executivos de alto escalão.

Soma-se a isso o surgimento de novas tecnologias e ameaças, aponta Souza Junior. Na visão de 87% das empresas ouvidas na pesquisa Global Cyber Risk Report 2026, os riscos de cibersegurança relacionados à inteligência artificial (IA) aumentaram em comparação com o ano anterior. O mesmo sentimento é manifestado quando são citadas ameaças como phishing (um tipo de golpe cibernético), ataques de ransomware e interrupção na cadeia de suprimentos.

"Em um evento, você não tem meses para configurar um firewall. Você tem horas. Se a integração entre os fornecedores não é coordenada por uma inteligência centralizada, cada novo dispositivo conectado é uma potencial porta de entrada para um ransomware. O criminoso sabe que, no caos da montagem, a segurança costuma ser sacrificada em nome do funcionamento imediato", alerta Souza Junior.

Ransomware é um tipo de ataque cibernético em que um criminoso bloqueia o acesso aos arquivos ou ao sistema de uma pessoa ou empresa e exige um pagamento para liberar tudo novamente — até mesmo companhias bilionárias ficam vulneráveis a essa ameaça.

Embora muitos incidentes em eventos não cheguem às manchetes por questões de confidencialidade, os prejuízos são sistêmicos, afirma Souza Junior. Ele diz que, em 2026, o "sequestro de disponibilidade" tornou-se comum: hackers paralisam o sistema de credenciamento ou a transmissão de palestras de um fórum de investimentos, exigindo resgates imediatos para não interromper a agenda.

"Muitas vezes, a empresa organizadora investe em segurança, mas o fornecedor do painel de LED traz um roteador desatualizado que ‘contamina’ toda a rede. É por isso que o monitoramento em tempo real não é um diferencial, é um requisito básico de sobrevivência", explica o advogado e professor especialista em cibersegurança, diretor do Grupo RG Eventos.

Um dos maiores obstáculos enfrentados pela cibersegurança em eventos é a percepção de que ela seria um "custo acessório". No entanto, Souza Junior defende que a cibersegurança é, na verdade, estrutura.

Em um cenário onde um vazamento de dados de um congresso médico pode resultar em multas pesadas pela LGPD e processos criminais, o investimento em proteção digital torna-se uma apólice de seguro para a marca, ressalta ele.

"Nossa abordagem no Grupo RG foca na criação de uma ‘bolha de segurança’ que envolve todo o ecossistema do evento. Trabalhamos com o conceito de segmentação de rede. O Wi-Fi do público jamais pode ‘enxergar’ a rede em que trafegam os dados da organização ou os sistemas críticos de palco. Se houver uma invasão em um ponto, ela precisa ser isolada ali", detalha Souza Junior.

Diferente de um escritório, onde um ataque pode ser mitigado ao longo de dias, em um evento, cada minuto de queda representa milhões em prejuízo e danos irreparáveis à imagem. Por isso, Souza Junior considera que a presença de um Centro de Inteligência Cibernética (CIC) no local tornou-se indispensável para eventos de grande porte em 2026.

"O monitoramento precisa ser ativo e humano. Nossos algoritmos detectam o comportamento anômalo, mas a decisão estratégica de isolar um setor ou bloquear uma credencial suspeita precisa ser rápida e precisa. Em eventos temporários, a segurança digital deve ter a mesma agilidade da equipe de produção", afirma.

Souza Junior avalia que, à medida que os eventos híbridos e as experiências digitais imersivas se tornam o padrão, a infraestrutura temporária deixa de ser um detalhe técnico para se tornar o alicerce da confiança entre marcas e seus clientes. Para empresas que buscam liderança, a mensagem do diretor jurídico é clara: a segurança do evento é a segurança da própria corporação.

"Não existe mais ‘off-line’ em eventos. Tudo é digital, tudo é conectado e, portanto, tudo é vulnerável. O segredo da tranquilidade de um organizador está em entender que a cibersegurança não começa quando o evento abre as portas, mas sim no primeiro esboço da rede, meses antes da montagem", salienta Souza Junior.

Para saber mais, basta acessar o site do Grupo RG Eventos: https://gruporgeventos.com.br/

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