Snacks saudáveis ampliam desafio industrial


O avanço de marcas de alimentos com apelo saudável tem ampliado o desafio de gestão para pequenas e médias indústrias que precisam crescer sem perder controle sobre produção, estoque, compras, custos e distribuição. O movimento aparece em um setor de grande peso econômico: a indústria brasileira de alimentos e bebidas encerrou 2025 com faturamento de R$ 1,388 trilhão, alta de 8,02% em relação ao ano anterior, segundo balanço da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
O mesmo levantamento aponta que a produção física do setor chegou a 288 milhões de toneladas em 2025, alta de 1,9%. Também indica que as empresas investiram R$ 41,3 bilhões no período, com parte relevante voltada à inovação, modernização de plantas industriais e adoção de novas tecnologias.
Nesse cenário, empresas que nascem com operações menores e ganham mercado precisam estruturar processos para sustentar a expansão. Uma reportagem da Exame mostrou o caso da Aruba, fabricante de biscoitos saudáveis do Rio de Janeiro, que começou em uma cozinha familiar e hoje está presente em 3.500 pontos de venda pelo Brasil.
Segundo a publicação, a companhia possui uma fábrica própria de cerca de 1.000 metros quadrados, 40 funcionários e produtos distribuídos em 20 estados. Em 2025, a empresa faturou R$ 12 milhões e trabalha para alcançar R$ 20 milhões em receita em 2026. A produção também acompanha esse movimento: foram cerca de 160 toneladas de biscoitos no ano passado, com expectativa de avanço de 40% em volume.
Para Thiago Leão, diretor da Nomus, trajetórias como essa mostram que o crescimento comercial precisa ser acompanhado por maturidade operacional. "Quando uma indústria aumenta o número de clientes, SKUs e canais de venda, a complexidade cresce junto. O desafio deixa de ser apenas produzir mais e passa a ser produzir com controle, previsibilidade e margem", afirma.
Em fabricantes de alimentos, a expansão costuma envolver variáveis como validade dos produtos, rastreabilidade de lotes, controle de insumos, planejamento de compras, capacidade produtiva, lead time e custos de produção. Quando essas informações ficam dispersas em planilhas ou sistemas desconectados, a empresa pode enfrentar retrabalho, falhas de estoque, dificuldade de precificação e menor visibilidade sobre a rentabilidade de cada item.
O tema ganha ainda mais relevância quando a marca amplia portfólio e distribuição. No caso citado pela Exame, a Aruba trabalha com cerca de 25 SKUs e lançou oito novos itens apenas no primeiro semestre de 2026. Esse tipo de movimento aumenta a necessidade de acompanhar demanda, estrutura de produto, matérias-primas, embalagens, produção e pedidos de forma integrada.
Segundo Leão, a diversificação do portfólio exige uma gestão mais conectada entre comercial e fábrica. "Cada novo produto traz uma nova combinação de ingredientes, fornecedores, embalagens, processos e custos. Sem integração entre pedidos, estoque, compras, produção e financeiro, a indústria pode vender bem e ainda assim perder eficiência na operação", explica.
A digitalização industrial tem avançado justamente para enfrentar esse tipo de desafio. Dados da Pintec Semestral 2024, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 89,1% das empresas industriais investigadas utilizaram ao menos uma das tecnologias digitais avançadas, como big data, computação em nuvem, inteligência artificial, internet das coisas, manufatura aditiva ou robótica.
Para indústrias de alimentos em crescimento, sistemas de gestão integrados podem apoiar a organização das informações e a tomada de decisão. O Nomus ERP Industrial é voltado para pequenas e médias indústrias e reúne recursos para áreas como vendas, compras, estoque, produção, custos, financeiro, qualidade e faturamento.
A adoção de um ERP também pode ajudar gestores a acompanhar indicadores operacionais e financeiros em tempo real, reduzindo a dependência de controles manuais. Em operações com muitos produtos, clientes e pontos de venda, essa visibilidade é importante para planejar compras, programar produção, evitar rupturas e analisar margens com mais precisão.
Segundo Leão, escalar uma indústria não significa apenas ampliar espaço físico ou comprar máquinas. "O crescimento sustentável acontece quando a empresa consegue transformar demanda em produção planejada, produção em entrega e entrega em resultado financeiro. Para isso, os dados precisam estar organizados e acessíveis para quem decide", ressalta.
A tendência é que fabricantes de alimentos com apelo saudável continuem buscando espaço em canais de varejo, distribuidores e pontos de venda especializados. Nesse ambiente, empresas que estruturam processos cedo tendem a ter mais condições de crescer com controle, especialmente quando combinam inovação de produto com gestão industrial mais integrada.
"Uma marca pode nascer de uma ideia simples e ganhar mercado rapidamente, mas a indústria por trás dela precisa acompanhar esse ritmo. Quanto antes a gestão é estruturada, mais fácil fica crescer sem perder rastreabilidade, margem e capacidade de atendimento", conclui Leão.




