Reforma Tributária coloca tecnologia no centro da transição


A adaptação das empresas à Reforma Tributária já alcança uma parcela significativa na frente documental. Segundo a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS (CGIBS), 88% dos documentos fiscais emitidos pelos contribuintes sujeitos à obrigatoriedade haviam sido transmitidos com informações de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços). O progresso, porém, ocorre em meio a ajustes no cronograma, com o adiamento das regras de validação desses novos campos para evitar entraves operacionais que pudessem afetar a emissão de documentos fiscais, o faturamento das empresas e a continuidade das atividades.
Esse cenário mostra que a implantação vai além de aspectos documentais, demandando que as novas exigências sejam traduzidas para informações que alimentam sistemas e processos empresariais. Para que as informações tenham consistência operacional, elas precisam estar sustentadas por cadastros estruturados, integradas aos sistemas de gestão (ERPs) e refletidas em regras capazes de orientar corretamente cada operação. Por isso, o enquadramento nas mudanças estabelecidas envolve não apenas a área fiscal, mas também tecnologia, financeiro, faturamento, compras, comercial e operações.
Da legislação à operação: o desafio dos dados
A adequação ao novo modelo tributário implica lidar com grandes volumes de dados, cadastros, classificações fiscais e registros nos ERPs, que precisam estar consistentes para sustentar as etapas seguintes. A experiência em projetos de consultoria para implantação da Reforma Tributária mostra que essa é uma das primeiras barreiras encontradas pelas empresas, segundo Natiene Bello, CEO da EVOUTAX. "Nos projetos, constatamos que não basta calcular os impactos do novo modelo. Antes, é preciso garantir que os dados utilizados estejam corretos e estruturados."
Ainda de acordo com a executiva, situações como cadastros duplicados, códigos internos repetidos, NCMs incorretos ou inexistentes, classificações genéricas e divergências entre documentos fiscais e registros dos ERPs levaram à necessidade de colocar o saneamento dos dados no centro da metodologia adotada.
O desafio ganha dimensão porque uma inconsistência na origem pode se propagar por diferentes etapas da operação. Uma classificação incorreta, por exemplo, compromete a análise da tributação de uma aquisição e a apuração de créditos de IBS e CBS. Da mesma forma, a ausência de histórico de XMLs dificulta a conferência de informações e o cruzamento entre documentos fiscais e registros internos.
Tecnologia ganha protagonismo na adaptação à Reforma Tributária
É nesse contexto que a tecnologia se consolida como uma frente estratégica da implantação da Reforma Tributária. A EVOUTAX desenvolveu e vem aprimorando tecnologias próprias, em conjunto com a Oracle, para diferentes etapas desse processo, incluindo higienização e saneamento de cadastros, captura e leitura automatizada de XMLs, cruzamento de documentos fiscais com informações dos ERPs, classificação e parametrização das novas regras, análise de créditos, revisão de itens de uso e consumo e identificação automatizada do regime tributário de empresas envolvidas nas operações. As soluções são aplicadas de acordo com as características de cada negócio, seus sistemas e seu segmento.
"A tecnologia precisa considerar a realidade e as particularidades da empresa. Cada projeto traz situações específicas e esse aprendizado orienta o aprimoramento contínuo das ferramentas e da metodologia para a Reforma Tributária", afirma Natiene Bello. "Na EVOUTAX, essa vivência acumulada se transforma em tecnologia. Construímos um ecossistema que evolui a partir dos desafios encontrados e amplia nossa capacidade de analisar, tratar e qualificar grandes volumes de informações com precisão", complementa.
Consultoria tributária conecta orientação e prática
A complexidade da implantação também estreita a relação entre consultoria e clientes. A atuação deixa de se limitar à interpretação da legislação ou à entrega de uma parametrização e abrange também o acompanhamento da execução, validação dos ajustes e interação entre as diversas áreas influenciadas.
"A metodologia de implantação da EVOUTAX nos coloca dentro da rotina da empresa. Precisamos estar próximos das equipes, entender como os processos funcionam e construir os ajustes junto com quem vai utilizar esses sistemas no dia a dia", conclui Natiene Bello. As atividades contemplam testes, avaliação dos resultados, ajustes de processos e treinamentos, combinando conhecimento tributário, tecnologia e operação.
A evolução da Reforma Tributária, portanto, desloca parte relevante da discussão para dentro da infraestrutura que sustenta as operações empresariais. A adequação dos documentos fiscais representa um movimento importante, mas a implantação depende de que informações, sistemas, regras e processos funcionem de maneira integrada e segura. Para as empresas, o avanço da transição significa traduzir a legislação em operações capazes de processar corretamente as novas exigências.






