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Alta do e-commerce muda a gestão de riscos na logística

O comércio eletrônico brasileiro encerrou 2025 com faturamento de R$ 235,5 bilhões, alta de 15,3% sobre o ano anterior, e deve alcançar R$ 258,9 bilhões neste ano, avanço de 9,9%, conforme projeções da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce Abiacom. A estimativa para 2026 indica 460,9 milhões de pedidos e ticket médio de R$ 562,15. O ritmo desloca a atenção do varejo digital para o último elo da cadeia: entregar no prazo prometido, em escala nacional.

O crescimento convive com riscos que afetam custo e continuidade. O país registrou 8.570 ocorrências de roubo de carga em 2025, queda de 16,7% frente a 2024, segundo levantamento da NTC&Logística. Ainda assim, o prejuízo direto permaneceu próximo de R$ 900 milhões e supera R$ 1 bilhão quando somados efeitos indiretos como seguros, escoltas, interrupções e atrasos no abastecimento.

A operação da J&T Express dá dimensão ao desafio. Segundo a companhia, a malha alcança 100% dos CEPs brasileiros e os 5.570 municípios do país, com frota de aproximadamente 16 mil veículos.

"A forte expansão do e-commerce no Brasil trouxe uma transformação significativa para a operação logística da J&T Express. O principal desafio passou a ser acompanhar o crescimento acelerado da demanda, mantendo velocidade, qualidade, previsibilidade e eficiência operacional", afirma Silmara Barros, gerente de Transportes da J&T Express.

A executiva relata que a evolução exigiu uma operação mais escalável e orientada por dados, com ampliação da capacidade de transporte, desenvolvimento de parceiros e agregados e monitoramento dos indicadores de SLA e performance. "Outro ponto importante foi a necessidade de lidar com uma demanda cada vez mais dinâmica, especialmente em períodos de grandes campanhas do e-commerce", observa, ao citar a preparação antecipada de capacidade e a gestão de contingências para picos de volume.

A mudança alterou o papel do transporte dentro do negócio. "Ele deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a ter um papel estratégico na experiência do cliente. Hoje, prazo, rastreabilidade, disponibilidade de capacidade e estabilidade da operação são fatores diretamente relacionados à percepção de qualidade do serviço", diz Barros.

Parceria construída desde o início da operação

A relação com a SmartRisk começou quando a transportadora estruturava sua operação no país. "Nesse contexto, a parceria com a SmartRisk foi fundamental para fortalecer nossos processos e trazer uma visão mais estruturada para a gestão de riscos no transporte", conta a gerente de Transportes.

"À medida que a J&T cresceu, conseguimos aprimorar processos, controles e ferramentas, tornando a gestão mais preventiva e orientada por dados, e não apenas reativa às ocorrências", acrescenta.

Para Silmara Barros, o efeito prático apareceu na previsibilidade da expansão: "Em uma operação de grande escala, crescer não significa apenas aumentar capacidade; significa também garantir que esse crescimento aconteça de forma sustentável, com processos sólidos e parceiros estratégicos preparados para acompanhar a evolução do negócio".

A exigência do consumidor por prazos curtos impôs um equilíbrio que ela resume em uma equação: "Velocidade com planejamento, eficiência com tecnologia e segurança com processos e gestão de riscos". O monitoramento em tempo real, acrescenta, permite identificar desvios e atuar de forma preventiva. "Quanto maior a visibilidade da operação, maior é a nossa capacidade de garantir previsibilidade", frisa.

Do sinistro apurado ao risco antecipado

Do lado da gestão de riscos, a área migrou da apuração de sinistros para uma atuação preditiva. Renato Bonfim, head de Gerenciamento de Riscos da SmartRisk, destaca que o comércio eletrônico ampliou a exposição a roubo de carga, desvio de rota, fraudes na última milha, avarias e acidentes, cujo risco cresce junto com o número de veículos em circulação.

"Como a entrega é o momento da verdade do cliente, qualquer falha gera prejuízo direto, perda de confiança e impacto operacional. Hoje a área atua com modelos analíticos e monitoramento contínuo, antecipando riscos antes que se transformem em perdas reais", pondera.

Com milhões de encomendas por dia, a inspeção manual de cada etapa é inviável. Por isso, segundo o especialista, "a segurança precisa estar embarcada no processo, sem fricção". A empresa combina telemetria, com leitura de velocidade, frenagens bruscas e padrões de condução, e câmeras veiculares que identificam desvio de atenção, fadiga e manobras de risco.

"O sistema cruza esses dados e aciona apenas os eventos anômalos que exigem intervenção, permitindo que a operação flua na velocidade exigida pelos prazos do e-commerce", detalha.

Bonfim projeta quatro frentes para os próximos ciclos: análise preditiva com inteligência artificial; cibersegurança em nível equivalente à proteção física da carga; adaptação a modelos como dark stores, lockers e entregas colaborativas; e resiliência climática diante de eventos extremos. "As empresas precisarão integrar dados de ponta a ponta, consolidar cultura analítica e investir continuamente em tecnologia", considera.

A trajetória conjunta indica que o gerenciamento de riscos deixou de ser medida de proteção patrimonial e passou a operar como infraestrutura do varejo digital. "Quem fizer essa transição transforma risco em vantagem competitiva: em logística, previsibilidade sustenta a promessa de entrega", conclui o executivo.

Para mais informações, basta acessar os sites oficiais da SmartRisk e J&T Express.

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