Creatina em foco: qualidade entra no radar global


O debate internacional sobre segurança alimentar e presença de contaminantes em produtos de consumo ganhou novos desdobramentos nos Estados Unidos e passou a influenciar discussões em diferentes setores da indústria, incluindo o mercado de suplementos alimentares.
Em um intervalo de poucas semanas, comunicados do Florida Department of Health divulgaram resultados de monitoramentos que identificaram níveis detectáveis de substâncias químicas em produtos de consumo diário, ampliando questionamentos sobre a presença de contaminantes em cadeias globais de suprimento.
A repercussão ultrapassou a esfera técnica e contribuiu para o aumento da percepção de risco entre consumidores. A discussão passou a envolver não apenas o cumprimento de limites regulatórios, mas também a busca por níveis mais elevados de controle e segurança.
Da discussão alimentar ao mercado de suplementos
Casos recentes envolveram a identificação de arsênio em doces analisados em testes laboratoriais e a presença de resíduos de glifosato em determinadas marcas de pão, conforme reportado por veículos como a CBS12 News e analisado em verificações independentes, como as publicadas pelo Poynter Institute.
Especialistas avaliam que episódios como esses ampliam o debate sobre qualidade em produtos consumidos regularmente, incluindo suplementos alimentares. Segundo o químico Dr. Edmyr Junior, consultor técnico Latam da PHZON Group, "quando o consumidor percebe que alimentos cotidianos podem conter traços de substâncias indesejadas, surge naturalmente o questionamento sobre outros produtos de uso contínuo".
No caso da creatina, substância obtida por síntese química, o processo produtivo pode gerar subprodutos e impurezas caso não haja controle analítico rigoroso ao longo da cadeia de produção. Análises laboratoriais indicam que podem ser investigados contaminantes como metais pesados — incluindo chumbo, cádmio, mercúrio e arsênio — além de subprodutos de síntese química, como DCD (diciandiamida) e DHT (diidrotriazina), resíduos de agrotóxicos e possíveis contaminantes microbiológicos, conforme descrito em avaliações técnicas conduzidas por órgãos de saúde e segurança alimentar.
Como a creatina costuma ser consumida de forma contínua, o Dr. Edmyr Junior destaca a importância de processos analíticos robustos para garantir consistência e segurança no produto final.
O precedente brasileiro
No Brasil, o debate sobre qualidade na categoria ganhou visibilidade após um monitoramento conduzido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que analisou 41 marcas de creatina disponíveis no mercado nacional, conforme reportado por veículos como o InfoMoney.
O levantamento apontou inconsistências em teor e rotulagem em parte significativa dos produtos avaliados. Segundo dados divulgados na ocasião, apenas uma marca apresentou conformidade total nos critérios analisados.
O episódio reforçou a discussão sobre a necessidade de critérios mais rigorosos de verificação analítica na categoria.
Avanço nos protocolos de análise
Nesse contexto, a PHZON Group, startup americana especializada em validação analítica de suplementos, anunciou a introdução no Brasil do CREATEST30™, um protocolo desenvolvido para ampliar a profundidade das análises aplicadas à matéria-prima da creatina.
O protocolo é estruturado em 30 etapas de rastreabilidade técnica e 82 determinações laboratoriais, com foco na identificação de possíveis contaminantes e subprodutos ao longo do processo produtivo. Enquanto análises tradicionais frequentemente se concentram na verificação do teor do ingrediente ativo, iniciativas desse tipo buscam ampliar o escopo de investigação, incluindo parâmetros relacionados à pureza e à presença de substâncias indesejadas.
"A indústria pode optar por seguir apenas os requisitos mínimos regulatórios ou investir em níveis adicionais de controle analítico", afirma Dr. Edmyr Junior.
Segundo a PHZON Group, a proposta do protocolo é contribuir para maior transparência e padronização nos critérios de análise aplicados à categoria. Os relatórios gerados incluem a avaliação de metais pesados, subprodutos de síntese, resíduos de agrotóxicos e parâmetros microbiológicos, com o objetivo de ampliar a visibilidade sobre a composição da matéria-prima utilizada.






