Especialistas debatem tratamento conservador da escoliose


Florianópolis sediou, no último sábado (16), o 31º Clube da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica (SBOP), promovido no Centro de Estudos do Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG), com foco no tratamento conservador das escolioses de início precoce e idiopática do adolescente. O encontro reuniu especialistas da área para debater diagnóstico, acompanhamento multidisciplinar e estratégias terapêuticas para as crianças e adolescentes com deformidades da coluna vertebral.
A programação científica contou com apoio da Clínica da Coluna e teve coordenação dos especialistas Dr. André Luís Fernandes Andújar (CRM/SC: 6736, RQE: 3708), Dr. Rodrigo Grandini (CRM/SC 21921, RQE 17315) e Dr. Henrique Dagostin de Arjona (CRM/SC 16533, RQE 15892), que também palestraram no evento.
Além das discussões teóricas, o encontro promoveu um workshop prático com o treinamento da aplicação de colete gessado em um modelo, além de uma demonstração com transmissão ao vivo do centro cirúrgico para os participantes. A atividade demonstrou, na prática, as técnicas utilizadas no tratamento conservador das deformidades da coluna em crianças.
Durante as apresentações, os especialistas reforçaram a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento multidisciplinar para evitar a progressão das deformidades e possíveis impactos pulmonares e neurológicos.
O ortopedista Dr. Daniel Cunha (CRM/MG 58072) destacou que as escolioses de início precoce exigem uma avaliação ampla e individualizada. "Quanto mais cedo a deformidade começa, maior o potencial de progressão. Por isso, entender a história gestacional, o desenvolvimento da criança e realizar uma avaliação multidisciplinar faz toda a diferença no tratamento", salientou.
Já o Dr. Amâncio Ramalho Jr. (CRM/SP 34182) chamou atenção para a relação entre deformidade da coluna e desenvolvimento pulmonar. Segundo ele, o crescimento do tórax e dos pulmões ocorre de forma interdependente nos primeiros anos de vida. "A janela crítica entre zero e cinco anos é determinante para o prognóstico. O objetivo é controlar a progressão da deformidade e evitar intervenções precoces que possam comprometer o desenvolvimento torácico e pulmonar da criança", explicou.
O especialista Dr. Henrique Dagostin de Arjona ressaltou que, embora a maioria das escolioses idiopáticas infantis apresente resolução espontânea, parte dos casos demanda acompanhamento rigoroso. "Existem sinais radiográficos e clínicos que indicam potencial de progressão da curva. Identificar esses fatores precocemente é fundamental para definir o melhor momento de intervenção", comentou.
Na programação voltada às deformidades congênitas, o Dr. Luis Eduardo Munhoz da Rocha (CRM/PR 8824) apresentou a classificação e história natural das malformações congênitas da coluna e o Dr. André Andújar abordou os riscos neurológicos relacionados à progressão da cifose congênita e reforçou a importância do momento cirúrgico adequado. "Em muitos casos, esperar a progressão da deformidade aumenta significativamente o risco neurológico. O tratamento precoce permite uma abordagem mais segura e com melhores perspectivas funcionais", destacou.
O Dr. Rodrigo Grandini apresentou casos clínicos envolvendo o uso do colete gessado como estratégia para controle da progressão da escoliose infantil. Segundo ele, o método pode auxiliar tanto na resolução de determinados quadros quanto no adiamento de procedimentos cirúrgicos mais complexos. "O tratamento é dinâmico e precisa ser individualizado. Em muitos pacientes conseguimos controlar a deformidade, preservar crescimento e postergar intervenções definitivas", afirmou.
As diferentes opções de tratamentos cirúrgicos, como sistemas de crescimento e a artrodese definitiva, também foram abordadas pelo Dr. André Luís Fernandes Andújar, que enfatizou que o tratamento destas crianças deve ser individualizado, adaptando a melhor técnica de tratamento para cada situação.
No período da tarde, os debates se concentraram na escoliose idiopática do adolescente, incluindo o diagnóstico, história natural e o tratamento conservador com o uso dos coletes. A fisioterapeuta Tanara Ramlow apresentou as evidências científicas e os métodos de tratamento com os exercícios específicos para escoliose.
O evento também promoveu debates sobre crescimento da coluna vertebral, insuficiência torácica, uso racional de exames de imagem e avanços tecnológicos aplicados ao planejamento cirúrgico, incluindo impressão 3D e modelos anatômicos utilizados em procedimentos complexos.
A realização do encontro reforçou a importância da atualização científica contínua e da integração entre equipes especializadas no cuidado de crianças com deformidades da coluna vertebral.





