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Avanço das canetas emagrecedoras remodela academias

O crescimento do mercado de agonistas do receptor de peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1), os medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, alterou a dinâmica do setor fitness brasileiro em menos de cinco anos. Levantamento divulgado pelo portal Metrópoles aponta que a categoria saltou de R$ 1,8 bilhão em 2021 para cerca de R$ 10 bilhões em 2025, enquanto a participação desses produtos no varejo farmacêutico avançou de 3% para 9% no período.

A escalada acompanha o aumento das doenças crônicas no país. Conforme a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), cujos dados do Ministério da Saúde foram divulgados em janeiro de 2026, a obesidade entre adultos cresceu 118% entre 2006 e 2024; já a prática de atividade física de deslocamento caiu de 17%, em 2009, para 11,3% em 2024. O excesso de peso alcança 62,6% da população adulta, quadro que ampliou a procura por tratamentos farmacológicos e, ao mesmo tempo, recolocou a atividade física no centro do debate sobre saúde.

Parte do interesse pelo tema surge de uma preocupação clínica. Estudos reunidos em revisões científicas indicam que uma fração relevante do peso eliminado com esses fármacos corresponde a massa magra, e não apenas a gordura, sobretudo quando o emagrecimento ocorre de forma rápida e sem acompanhamento. A redução muscular diminui o metabolismo de repouso, compromete a força e a mobilidade e pode facilitar o reganho de peso após a interrupção do tratamento, o que levou entidades médicas a recomendarem a combinação com exercícios de força.

Um novo perfil nas academias

Para a Ultra Academia, rede que opera mais de 100 unidades e atende cerca de 300 mil alunos em 16 estados, o movimento redefine quem procura o treino. O gerente de operações da empresa, Guilherme Lacerda, observa que pessoas antes afastadas da rotina de exercícios por excesso de peso, dores articulares ou baixa autoestima passaram a dar o primeiro passo com mais facilidade, o que aproxima do ambiente de treino um público que antes não o frequentava.

Segundo Lacerda, esse deslocamento amplia a função das academias para além da perda de peso. "Para o mercado fitness, isso representa uma oportunidade e não uma ameaça. A academia deixa de ser vista apenas como um local para emagrecer e passa a ser reconhecida como um ambiente de promoção da saúde, ganho de força, preservação da massa muscular, melhora da qualidade de vida e manutenção dos resultados obtidos com o tratamento medicamentoso", afirma.

Exercício como parte do tratamento

O executivo pondera que existe consenso científico sobre a necessidade de associar o uso desses medicamentos ao treinamento de força. De acordo com ele, os fármacos reduzem o apetite e a ingestão calórica, o que favorece o emagrecimento, mas parte do peso perdido pode ser massa muscular; o estímulo do treino resistido seria justamente o sinal de que o organismo precisa para conservar a musculatura durante o processo. Lacerda acrescenta que, entre pessoas mais velhas, a perda acelerada de músculo pode agravar a sarcopenia, condição que diminui a força e eleva o risco de quedas.

"Manter a massa muscular significa preservar o metabolismo, melhorar a capacidade funcional, reduzir o risco de lesões, melhorar a postura, o equilíbrio e garantir que o paciente não apenas pese menos, mas tenha uma composição corporal muito melhor", avalia o gerente de operações.

Diante da expectativa de que esse público cresça, a rede afirma preparar suas equipes para orientar metas que vão além da balança, como preservação de massa muscular, ganho de força, melhora da mobilidade e construção de hábitos duradouros. A empresa também defende a integração entre médico, nutricionista e profissional de educação física e diz investir em avaliações físicas periódicas e em acompanhamento mais próximo dos alunos que utilizam a medicação.

O cenário aponta para uma aproximação maior entre medicina e exercício físico no cuidado de doenças crônicas como obesidade, diabetes e hipertensão. Na leitura de Lacerda, academias que oferecem apenas acesso a equipamentos tendem a perder espaço para modelos centrados em acompanhamento e orientação em saúde.

O gerente de operações resume que os medicamentos podem iniciar a transformação, mas são os hábitos, sobretudo a prática regular de exercícios, que a tornam duradoura, síntese que conecta a expansão das canetas emagrecedoras ao papel assumido pelas academias nesse novo estágio do mercado.

Para saber mais, basta acessar: https://www.ultraacademia.com.br

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