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Carreiras lineares aumentam o risco na gestão da longevidade

A longevidade deixou de ser uma variável demográfica para se tornar um teste de resistência para a governança corporativa. Muitos modelos de carreira ainda operam sob a lógica da "trindade" tradicional: educação, trabalho e aposentadoria. Contudo, em um cenário em que a vida laboral ultrapassa os 50 anos, essa estrutura linear expõe uma fragilidade central: a incapacidade de gerir o capital geracional.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já sinaliza que o envelhecimento da força de trabalho, se não acompanhado de um redesenho organizacional, pode estagnar a produtividade. Para Fran Winandy, arquiteta em governança do capital geracional, "o erro comum é tratar a longevidade como um tema da área de Diversidade e Inclusão (D&I), quando, na verdade, trata-se de sustentabilidade do mercado". O etarismo, definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a discriminação baseada na idade, atua aqui como um gargalo de eficiência. Ao subestimar profissionais experientes, as empresas desperdiçam o que Winandy denomina ROEx (Return on Experience), o retorno sobre a experiência acumulada que estabiliza crises e acelera a mentoria de novos talentos.

Para Winandy, "a convivência multigeracional não é um item cosmético: é uma vantagem competitiva mensurável". Estudos da London School of Economics reforçam que equipes com alta diversidade etária apresentam maior capacidade de resolução de problemas complexos. O ruído surge apenas quando há ausência de governança. Sem políticas claras de sucessão que contemplem a "longevidade produtiva", a empresa perde memória institucional e velocidade de adaptação.

A falha, para Winandy, é estrutural: "O modelo mental que trata a carreira como uma linha reta está obsoleto. A organização que não reconfigura esse desenho perde a capacidade de renovação estratégica e trava a sucessão".

Essa obsolescência abre espaço para o conceito de Wave Careers (carreiras em ondas), popularizado por Lynda Gratton e Andrew Scott. Diferente da ascensão linear, esse modelo propõe que o profissional navegue por diferentes ciclos de intensidade, com períodos dedicados à produção plena intercalados por ‘vales’ de reskilling e transições de papel, permitindo que a produtividade se sustente de forma saudável por cinco ou seis décadas.

Esse ponto conduz a outra dimensão crítica: a requalificação permanente. Conforme aponta o Fórum Econômico Mundial, a rápida evolução tecnológica e a extensão da vida laboral tornaram o modelo de "carreira em três estágios" (educação, trabalho, aposentadoria) obsoleto. Em seu lugar, emerge a carreira de múltiplos estágios, em que a aprendizagem não é um evento isolado, mas uma disciplina contínua para garantir a resiliência da força de trabalho.

Se a vida laboral se alonga, a empresa precisa criar o ecossistema — tempo, contexto e incentivo — para essa atualização, enquanto o profissional assume o protagonismo de sua própria evolução. A OCDE e o Banco Mundial corroboram essa visão ao tratarem o lifelong learning como o pilar central da "longevidade produtiva", transformando o que antes era um custo de treinamento em um investimento na preservação do capital intelectual da organização.

Um estudo do BCG Henderson Institute (BHI) revelou que, até 2050, todos os 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) terão populações envelhecidas. Em 33 desses países, 21% ou mais da população terá 65 anos ou mais. Frente a este cenário, foi desenvolvido um modelo que, por meio de indicadores específicos, consegue projetar o desempenho econômico de um país e o bem-estar dos seus cidadãos até o ano 2050, comprovando que crescimento econômico e bem-estar estão interligados, com ciclos de retroalimentação negativa e sinergias entre os dois.

Para Winandy, isso sugere uma necessidade de cooperação entre os esforços da área pública e privada no redesenho das organizações, retenção de talentos e sustentabilidade dos negócios. Para conselhos e C-Suites, a mensagem é inequívoca: a longevidade deve integrar a pauta de ESG e gestão de riscos. Revisar métricas de desempenho, políticas de promoção e premissas de saída não é mais opcional.

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