Notícias Corporativas

Transparência é fundamental na remuneração de investimentos

O avanço das regras de transparência no mercado brasileiro de investimentos colocou em evidência uma discussão cada vez mais relevante para os investidores: como profissionais e instituições são remunerados pela distribuição, intermediação e acompanhamento de produtos financeiros.

Mais do que comparar modelos de cobrança de forma isolada, a Lifetime avalia que o tema deve ser tratado sob uma ótica mais ampla, que considere a qualidade da recomendação, a adequação ao perfil comportamental e aos objetivos do cliente, a estrutura da carteira, a frequência esperada de movimentações, a transparência sobre custos e mecanismos capazes de reduzir potenciais conflitos de interesse.

A partir das novas diretrizes de transparência da remuneração, em vigor desde novembro de 2024 no âmbito da autorregulação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), as instituições passaram a ter obrigações mais claras de divulgação das remunerações associadas à distribuição de produtos de investimento. A medida reforça um movimento regulatório já iniciado pela Resolução CVM 179, voltado a ampliar a capacidade do investidor de compreender quanto paga, como paga e quais incentivos podem existir na recomendação de determinados produtos.

Para Fernando Katsonis, CEO da Lifetime, a evolução regulatória é positiva porque desloca a discussão da percepção para a informação objetiva. "O investidor não deve escolher uma instituição apenas pelo nome do modelo de remuneração. A pergunta correta é: ‘Eu entendo claramente quanto estou pagando, por que estou pagando e se essa estrutura faz sentido para o meu perfil, meu patrimônio, minha carteira e meus objetivos de longo prazo?", afirma.

Segundo a Lifetime, existem hoje dois grandes caminhos de remuneração no mercado brasileiro. O primeiro é o modelo de remuneração por produto ou operação (comission-based), no qual a instituição pode ser remunerada pela distribuição ou manutenção de determinados ativos. Esse formato é historicamente predominante no Brasil e pode ser adequado para investidores que realizam poucas movimentações, mantêm posições longas e preferem não pagar uma taxa recorrente sobre todo o patrimônio.

"Para determinados perfis, pagar quando há uma operação pode ser eficiente. Um investidor com carteira estável, baixa rotatividade e horizonte de longo prazo não necessariamente se beneficia de uma cobrança recorrente", explica Katsonis.

O segundo é o modelo de remuneração recorrente sobre o patrimônio (fee-based), no qual o investidor paga uma taxa previamente acordada sobre o volume acompanhado pela instituição. Esse formato tende a oferecer maior previsibilidade e pode fazer sentido para clientes que demandam acompanhamento mais frequente, maior volume de movimentações, rebalanceamentos ou uma relação consultiva mais ativa.

Nesse modelo, também pode haver maior clareza sobre a separação entre o custo da assessoria e eventuais remunerações embutidas nos produtos. Em alguns casos, valores recebidos pela instituição na distribuição podem ser devolvidos ao cliente, conforme regras pactuadas.

A Lifetime, que disponibiliza ambos os modelos, ressalta que nenhum deles é superior ao outro. A escolha depende do perfil do investidor, da composição da carteira, do nível de serviço esperado e da forma como o cliente prefere se relacionar com os custos. "Existe uma tendência de tratar um modelo como mais moderno e outro como menos transparente, mas essa é uma simplificação. Transparência não depende apenas do formato de cobrança, mas de governança, clareza documental e uma recomendação coerente com o interesse do cliente", detalha Katsonis.

O que o investidor deve avaliar

Para a Lifetime, a escolha do modelo de remuneração deve considerar quatro pontos principais:

  1. Estrutura da carteira e movimentação futura: investidores que fazem poucas operações e mantêm ativos por longos períodos podem se beneficiar de um modelo vinculado à transação. Já carteiras dinâmicas, com revisões frequentes e maior acompanhamento, podem preferir uma cobrança recorrente e previsível.
  2. Complexidade patrimonial: quanto maior o patrimônio e a necessidade de planejamento sucessório, fiscal ou internacional, maior a relevância da relação consultiva. O investidor deve avaliar o custo, a profundidade do serviço prestado e a capacidade técnica da instituição.
  3. Transparência do custo total: é necessário avaliar a taxa explícita e o custo econômico total. Em um modelo, o custo pode estar ligado ao número de operações; no outro, concentrado em uma taxa recorrente. A comparação deve considerar cenários práticos e o serviço entregue.
  4. Alinhamento de interesses: mais importante que o nome do modelo é entender quais incentivos existem na recomendação — e também na ausência dela. "O conflito de interesse não está apenas em recomendar. Pode existir na omissão ou na inércia diante de oportunidades. O modelo ideal combina transparência, responsabilidade técnica e acompanhamento compatível com os objetivos do cliente", sustenta Katsonis.

A Anbima destaca que as novas regras buscam padronizar informações para facilitar a compreensão dos investidores e permitir melhores comparações entre distribuidores.

Transparência como ponto de partida, não de chegada

Na visão da Lifetime, a evolução regulatória é um avanço para o mercado, mas a transparência formal não substitui a responsabilidade técnica. "Mostrar custos é obrigação. O diferencial está em explicar o custo, justificar a recomendação e demonstrar por que determinada solução é adequada ao cliente", diz Katsonis.

A empresa reforça que o investidor deve evitar escolhas baseadas em slogans comerciais. Modelos diferentes podem conviver de forma legítima, desde que estejam documentados, sejam compreendidos e estejam alinhados ao serviço prestado. "A melhor estrutura combina transparência, adequação e eficiência econômica. Para alguns investidores, fará sentido pagar por operação. Para outros, uma taxa recorrente será mais adequada. O ponto central é que a decisão seja consciente, comparável e informada", conclui.

INSCREVA-SE E FIQUE POR DENTRO DAS NOSSAS NOVIDADES, SORTEIOS E PROMOÇÕES

Invalid email address
Prometemos não enviar spam para você.  Pode cancelar sua inscrição a qualquer momento.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo