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Higiene bucal no confinamento: entenda os riscos de negligenciar a saúde da boca

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Especialista alerta para a importância da manutenção dos hábitos de escovação, tanto para quem está na casa mais vigiada do Brasil quanto para quem segue confinado por causa da pandemia

O Brasil dispõe de uma das melhores práticas clínicas odontológicas do mundo. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), entre 2016 e 2018, pesquisadores de instituições brasileiras foram responsáveis por mais de 14% das publicações científicas mundiais em “Odontologia geral” e cerca de 12% em Periodontia.

Ainda que o país tenha as melhores técnicas e profissionais, tanto para cuidar da saúde bucal quanto para melhorar a estética dentária, muitas pessoas parecem ignorar algumas orientações básicas para evitar problemas e constrangimentos. É o que se nota, por exemplo, entre os participantes do BBB 21. Ao que parece, alguns não estão muito preocupados com a higiene da boca.

O confinamento na casa do BBB 21 traz alguns alertas a respeito da higiene bucal. Mas não só os famosos participantes estão sujeitos a deixar seus bons hábitos de lado porque passam por uma drástica alteração de rotina. Durante o isolamento social, sem agenda social e horários definidos para acordar, trabalhar, fazer as refeições ou tomar banho, por exemplo, muitas pessoas têm negligenciado o trato da saúde bucal. E menos escovação somada a uma má alimentação – rica em carboidratos e açúcares, consumo que aumentou com a ansiedade de estar em casa – é um risco em potencial para danos aos tecidos bucais.

De acordo com o cirurgião-dentista Camillo Anauate-Netto, conselheiro do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), os hábitos de higiene bucal devem ser rigorosamente mantidos independentemente de as pessoas estarem ou não com a agenda normal. “A boca é o segundo local do corpo humano que tem mais bactérias, atrás apenas do intestino grosso”, destaca o profissional que também é membro da Câmara Técnica de Dentística do CROSP.

Para evitar o desenvolvimento das placas bacterianas e da cárie dental, é preciso estar atento à correta higiene bucal, que deve ser feita três vezes ao dia por meio da escovação com creme dental, uso de fio dental ou escovas interdentais calibradas, e escovas especiais ou raspadores de língua. No entanto, se o problema já existe, a única solução é recorrer ao cirurgião-dentista para realizar a limpeza profissional, com remoção dos agentes agressores.

Causas do mau hálito

No BBB 21, o mau hálito foi um problema que repercutiu entre os companheiros de confinamento. Vale ressaltar que 95% dos casos de halitose que têm origem na boca são decorrentes justamente da precária higiene bucal que gera problemas como cárie dental, doenças gengivais e a saburra lingual, causas comuns para o mau cheiro.

De acordo com Camillo Anauate-Netto, 90% dos pacientes que se queixam de mau hálito desenvolvem mudanças no comportamento, sentimento e pensamento. “É comum que eles interpretem gestos normais de outras pessoas, como passar a mão no nariz ou oferecer-lhes uma bala, como se fossem reações negativas ao possível mau hálito. Muitos desenvolvem sintomas típicos de ansiedade social.”

Outros problemas do confinamento

A mudança dos hábitos e a falta de escovação provenientes de um confinamento prolongado podem acarretar outros problemas além de mau hálito, cárie e doenças gengivais, como as aftas na mucosa, que podem ser  causadas por resíduos de alimentos que ficam ali depositados por longas horas.

O cirurgião-dentista do CROSP alerta ainda sobre a herpes labial, uma infecção viral que pode ser desencadeada pelo estresse, comum nessas situações que impõem mudanças na rotina. “Como prevenção, a melhor alternativa é manter a boa higienização, que favorece o sistema imunológico e diminui o risco de outras lesões.”

Enxaguante bucal resolve?

Alguns participantes do programa têm substituído a escovação por um simples bochecho com enxaguante bucal, mas isso não assegura a correta higiene da boca e dos dentes. “O enxaguante tem ação irrelevante quando comparado à higienização mecânica; serve apenas para proporcionar alguma ação antisséptica e um hálito com sabor diferenciado. Quem confia excessivamente no enxaguante bucal corre mais risco de cárie e doença gengival”, explica Camillo.

O enxaguante bucal deve ser recomendado pelo cirurgião-dentista quando a pessoa realmente necessita, em função de processos inflamatórios ou infecciosos.

Como fazer a higienização correta

Camillo Anauate-Netto diz que existem duas formas de se higienizar a boca, a social e a técnica. “A social é aquela que fazemos de forma rápida, apenas com a escova dental. Já a técnica é a que fazemos de forma correta, utilizando também o fio dental, observando a limpeza da língua com um raspador e, em casos especiais, um enxaguante bucal. O correto é fazer a escovação técnica três vezes ao dia. Uma boa escovação não se faz em menos de 6 minutos.”

Depois da escovação, é preciso seguir um protocolo para guardar e manter a escova em boas condições. A recomendação é lavar a escova dental abundantemente em água corrente, até que nenhum resquício de creme dental fique depositado. Após isto, fazer a secagem com papel absorvente e guardá-la, individualmente, em recipiente fechado. “É de boa prática também borrifar solução de clorexidina a 0.12% como ação bactericida e trocar a escova em, no máximo, três meses”, orienta.

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